sexta-feira, 3 de julho de 2015

SOMOS CRISTÃOS E A REDUÇÃO?

 Porque alguns cristãos se alegraram com a redução? 

Qual seria o posicionamento de Jesus?



                       Diante do quadro político do parlamento brasileiro e de suas inúmeras contradições ideológicas eleitoreiras que seduzem os cidadãos que através de pouco conhecimento e uma série de informações de jornais que reproduzem a indústria da exclusão e do medo firmam com convicção posturas contrárias a esperança que é própria do cristianismo. No entanto, uma outra questão me assombra a partir dos debates das TVs, nas redes e, que por fim, se concluiu com a manobra realizada na noite de ontem, 01\07, com a aprovação da redução para 16 anos da idade penal, assim, venho refletir acerca do posicionamento dos cristãos sobre aqueles que Jesus escolheu como sua missão,"respondeu-lhes Jesus: Não são os homens de boa saúde que necessitam de médicos, mas sim os enfermos"(Lc 5, 31).


Nenhuma sociedade que esquece a arte de questionar ou deixa que essa arte caia em desuso pode esperar encontrar respostas para os problemas que a afligem -  certamente não antes que seja tarde demais e quando as respostas ainda que corretas, já se tornaram irrelevantes (ARENDT, p. 14-15).


                        É notório que os pilares da estrutura de uma sociedade, e aqui me refiro aos segmentos da economia, política e a conjuntura social apresentam a necessidade de reformas e novos sistemas, dado a crise mundial que há décadas cresce o número de países que recorrem a recursos e acordos sem precedentes. Ademais, as instituições sociais como a escola, família e a igreja, naturalmente são influenciadas e com urgência precisam firmar seus princípios e compreender o cenário atual assumindo suas responsabilidades. 


Ser visto e ouvido por outros é importante pelo fato de que todos vêem e ouvem de ângulos diferentes. É este o significado da vida pública, em comparação com a qual até mesmo a mais fecunda e satisfatória vida familiar pode oferecer (ARENDT, p. 67).


                   O sentido de comunidade como espaço dos iguais, no qual a partir do coletivo anseiam por novas formas e meios para alcançarem objetivos em comum, atualmente estão revestidos pelo indivíduo virtual, pela comunidade virtual e logo o outro assume também o caráter de outro virtual.  À medida que os valores inerentes à sociedade se transformam em virtuais e, nesta crescente transformação, arriscamos negar ao outro o sentido de pertença a uma comunidade e por outro lado, negamos os contextos sociais, seus protagonistas e espectadores. Enfim, o distanciamento da sociedade real necessariamente favorece o crescimento de comunidades fantasmas, virtuais. A despolitização do cidadão, visto na ótica do consumo como individuo, permeia o novo conceito de comunidade e, principalmente, forja sutilmente a instrumentalização do outro como mecanismo de descarte a partir do clique gerando indivíduo online ou offline. 


A experiência da proximidade entre pessoas como pessoas é que constitui o outro como “próximo” (próximo, vizinho, alguém), como outro; e não como coisa, instrumento, mediação. A práxis, então, na atualização da proximidade, da experiência de ser próximo para o próximo, de construir o outro como pessoa, como fim de minha ação e não como meio: respeito infinito (DUSSEL, 1987, p. 19).


                     Em meados de MAIO a CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, por meio do Arcebispo Dom Murilo Krieger de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil, declarou a posição da Igreja Católica sobre a questão da redução da idade penal para 16 anos, " a comoção não é boa conselheira e, nesse caso, pode levar a decisões equivocadas com danos irreparáveis para muitas crianças e adolescentes, incidindo diretamente nas famílias e na sociedade. O caminho para pôr fim à condenável violência praticada por adolescentes passa, antes de tudo, por ações preventivas como educação de qualidade, em tempo integral; combate sistemático ao tráfico de drogas; proteção à família; criação, por parte dos poderes públicos e de nossas comunidades eclesiais, de espaços de convivência, visando a ocupação e a inclusão social de adolescentes e jovens por meio de lazer sadio e atividades educativas; reafirmação de valores como o amor, o perdão, a reconciliação, a responsabilidade e a paz [...]sob a luz do Evangelho, o Conselho Permanente da CNBB, dirige esta mensagem a toda a sociedade brasileira, especialmente, às comunidades eclesiais, a fim de exortá-las a fazer uma opção clara em favor da criança e do adolescente. Digamos não à redução da maioridade penal e reivindiquemos das autoridades competentes o cumprimento do que estabelece o ECA para o adolescente em conflito com a lei." 


             
Jesus aponta como modelos o pai que perdoou, o filho que se arrependeu, o publicano que pedia perdão, o samaritano que perdeu tempo para cuidar de um desconhecido vítima de assaltantes. Apontava como exemplo de falsa espiritualidade os dois homens de religião que nada fizeram pelo ferido; o fariseu que se gabava de ser bom dizimista, o filho bonzinho que ficou irado por ver que o pai perdoara seu irmão pecador. No contraste estava a doutrina. Ou praticamos a alteridade ou perderemos a autoridade!(Padre Zezinho, artigo: Alteridade e Autoridade)

              
     Concluo esta reflexão a partir do tema  "SOMOS CRISTÃOS E A REDUÇÃO?", e me pergunto se os cristãos que se assumiram a favor da redução, o que fizeram para ser diferente? Seguiram os passos do mestre e acreditaram no poder da Palavra? Arregaçaram as mangas e procuraram apoio nas ONGs para projetos de inclusão? Fomentaram as pastorais, os movimentos, para atividades de evangelização por meio do esporte e lazer? E se Jesus desistisse de nós? O seguimento de Jesus nos coloca numa dinâmica contrária as escolhas e visão do mundo atual, crer no Cristo e assumir sua lógica escrita nos Evangelhos nos exorta a reconhecermos as estruturas que escravizam e não oportunizam os adolescentes e jovens. Em Lucas 6, 46 Jesus nos questiona sobre nossas escolhas " Porque me chamais: Senhor, Senhor... e não fazeis o que vos digo?" Entre o ódio, o medo e o desespero, em Jesus optamos pelo amor, coragem e esperança, talvez muitos católicos que vivem cotidianamente a experiência da Eucaristia não entenderam que nossa missão é fazer-se eucaristia para aqueles que a sociedade não escolheu como prioridade.



Referências bibliográficas

ARENDT, H. A Condição humana. Tradução: Roberto Raposo. Rio de Janeiro. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.


DUSSEL, E. Método para uma filosofia da libertação. Loyola: São Paulo, 1986.


Fonte: http://www.padrezezinhoscj.com/wallwp/artigos_padre_zezinho/comportamental/alteridade-e-autoridade

segunda-feira, 22 de junho de 2015

CONCURSO PARA A ELABORAÇÃO DO MANUAL DE FILOSOFIA DO ISDB

INSTITUTO SUPERIOR DOM BOSCO - ISDB
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE ANGOLA - UCAN

Manhã movimentada na sala do DEXA para as inscrições dos acadêmicos para a confecção do 1º Manual de Filosofia do ISDB. Com as inscrições feitas e o edital em mãos os universitários estão prontos para iniciar a pesquisa.
DEXA








ENCONTRO DE PESQUISA EM FILOSOFIA - ISDB\LUANDA\ANGOLA - 2º DIA


INSTITUTO SUPERIOR DOM BOSCO - ISDBI ENCONTRO DE PESQUISA EM FILOSOFIA

2º DIA


18\06\2015 - TURMAS: 1º E 3º ANO














ENCONTRO DE PESQUISA EM FILOSOFIA - ISDB\ LUANDA\ ANGOLA

INSTITUTO SUPERIOR DOM BOSCO - ISDB
I ENCONTRO DE PESQUISA EM FILOSOFIA
1º DIA

17\06\2015 - TURMAS: 2º E 4º ANO


Você saberia dizer o que é pesquisa acadêmica? 
Qual a sua contribuição para a formação docente?
Como surgem as pesquisas? 
Qual a relação entre pesquisa e pensamento reflexivo?











quinta-feira, 11 de junho de 2015

LANÇAMENTO DO DIRETÓRIO DE EXTENSÃO ACADÊMICA NO ISDB


O INSTITUTO SUPERIOR DOM BOSCO INICIA UM NOVO CICLO EM SUA HISTÓRIA. O LANÇAMENTO DO DIRETÓRIO DE EXTENSÃO VEM CONFIRMAR SUA VOCAÇÃO PARA A COMUNIDADE. 










quarta-feira, 10 de junho de 2015

O Conhecimento em Santo Agostinho

A filosofia de Agostinho sobre o homem e o conhecimento

As Confissões constituem o documento mais importante para conhecer a personalidade de Agostinho. Nos primeiros capítulos, ele descreve a época inquieta, marcada por desgarramentos interiores, antes de sua conversão ao Cristianismo. Os capítulos seguintes contêm a célebre “teoria da memória”, bem como reflexões sobre a consciência e o tempo. Encontram-se, ali, os elementos de uma filosofia da consciência antecipante.
Em doze pontos podemos sintetizar a filosofia de Agostinho sobre o homem e o conhecimento:

1 - O caminho adotado por Agostinho para o “conhecimento de si” tem como característica o seu abandono nas mãos de Deus. A respeito, escrevia Agostinho: “Só posso me conhecer a mim mesmo à luz da verdade, graças à qual sou sempre conhecido (como criatura)”. É na fé que o homem pode desenvolver a sua faculdade de conhecer. Reciprocamente, o conhecimento reforça a fé. A respeito, Agostinho frisava: “Crede ut intelligas; intellige ut credas” (Crê para que conheças; conhece para crer).

2 – A busca das condições do conhecimento conduz à descoberta do fundamento do saber na certeza interior da consciência. No seu esforço para superar o ceticismo, Agostinho encontrou um caminho de pensamento comparável ao que Descartes seguiria mais tarde. Eu posso me equivocar acerca das coisas fora de mim. Mas, enquanto duvido, sou consciente de mim mesmo enquanto duvidante. A certeza da minha existência é pressuposta em todo julgamento, em toda dúvida e em todo erro: “Si enim fallor, sum” (Pois se me engano, então existo).

3 – Destarte, a via em direção aos fundamentos da certeza conduz à interioridade. A respeito, Agostinho escrevia: “Noli foris ire, in teipsum redi; in interiore homine habitat veritas” (Não queiras ir fora de ti; volta-te sobre ti mesmo, pois no interior do homem habita a verdade). O homem, ao procurar a verdade, envolve-se num movimento que o conduz sempre mais longe, ao interior de si mesmo e que constitui o ponto de partida para a ascensão ao amor de Deus. Esse movimento leva o homem do mundo exterior e sensível (foris) ao mundo interior do espírito humano (intus) e, daí ao mais íntimo do coração (intimum cordis). Tudo se dirige “a Deus como fundamento original da verdade em si mesma”.

4 - É no seu interior que o homem encontra certas verdades necessárias e seguras, válidas independentemente do tempo e supra-individuais (por exemplo, os fundamentos da matemática e o princípio de não contradição). Essas verdades não provêm da experiência sensível, pois a sua análise mostra, pelo contrário, que elas pressupõem já idéias determinadas que não podem se tornar presentes sem uma participação intelectual. Isso vale, por exemplo, para as idéias de unidade ou de igualdade, que não encontramos, de início, na experiência sensível. Igualmente, a impressão sensível, efêmera, não é capaz de nos fornecer nenhum conceito acerca das coisas. É unicamente quando podemos conservar as imagens dessas impressões na memória, juntá-las e compará-las, que nós conseguimos chegar a uma certa claridade quanto à natureza das coisas sensíveis.

5 – Chegamos ao domínio das idéias mediante a Iluminação, que consiste numa projeção da luz divina sobre o nosso entendimento. A respeito, Agostinho frisava: “As verdades eternas nos são dadas graças à iluminação de Deus”. Essa ação de iluminação é comparável à projeção da luz do sol. “A força do espírito corresponde aos olhos, os objetos do conhecimento são as coisas iluminadas e a força da verdade é o sol”. Agostinho utilizava, aqui, uma imagem tomada de empréstimo à tradição neoplatônica da metafísica da luz.

6 – As idéias são os arquétipos de todos os seres no espírito de Deus. O mundo criado é a realização e o reflexo desses arquétipos. Deus cria o Mundo a partir do Nada. Isso significa que, antes da criação, não havia nem Matéria, nem Tempo. O tempo só aparece com a criação e Deus encontra-se, assim, fora da temporalidade. Se perguntar pela data do nascimento do mundo é um absurdo.

7 – Os elementos que constituem o Mundo são: a Matéria, o Tempo e a Forma (as idéias eternas). Deus criou, ao mesmo tempo, uma parte dos seres na sua forma completa (anjos, animais, astros). Quanto à outra parte das criaturas, ela é submetida à mudança (por exemplo, o corpo dos seres vivos). Para explicitar isso, Agostinho acudia à teoria das “rationes seminales” (formas fecundantes). Essa espécie de germes originais é implantada por Deus na matéria e, a partir deles, se desenvolvem os seres vivos. É assim como se pode compreender o processo de desenvolvimento e diversificação das espécies, sem ter de levar em consideração outras causas diferentes da absoluta força criadora de Deus. O pensamento de Agostinho, destarte, não se fecha à idéia de evolução, que posteriormente foi introduzida a partir do desenvolvimento das ciências, no século XIX.

8 – O homem, essência temporal em face da eternidade. Tornou-se conhecida a análise do tempo feita por Agostinho, no XI capítulo dasConfissões. O autor não ficava apenas na descrição da faculdade da consciência (memória), constitutiva da experiência do tempo. O pensador examinava, de forma radical, a constituição fundamental do ser do homem, como sendo uma essência temporal em face da eternidade da verdade. Agostinho mudou radicalmente a antiga concepção do tempo ligado ao kosmos grego, conferindo-lhe a dimensão de uma consciência da temporalidade, interna e subjetiva. Se considerarmos o tempo como algo objetivo, ele se decompõe em momentos diferentes. Pois o passado já não é mais, o futuro ainda não é e o presente reduz-se ao instante de passagem do passado ao futuro. Temos, portanto, uma consciência da duração, umaexperiência do tempo e dispomos de uma medida deste. Isso só é possível se a consciência humana possuir a faculdade de conservar, na memória, enquanto imagens, os traços que deixa a impressão sensível passageira, produzindo, assim, a idéia de duração.

9 - Três dimensões antropológicas do Tempo, decorrentes da forma em que as imagens se tornam presentes ao espírito. A primeira seria “o presente do passado” e constitui a memória; a segunda dimensão estaria constituída pelo “presente do presente” e abre espaço para a visão; a terceira dimensão identificar-se-ia com o “presente do futuro” e constitui a base da espera. Segundo Agostinho, não é correto dizer que o passado e o futuro são, pois somente a experiência do presente existe verdadeiramente, acompanhada, no espírito, de uma representação do passado e do futuro. Na consciência, medimos o tempo que nos é assim dado como um “prolongamento da alma” (distentio animi). No limite desse prolongamento em direção ao passado e ao futuro, as imagens se obscurecem cada vez mais. Como o espírito produz, dessa forma, as dimensões temporais, a interioridade do homem está numa espera perpétua, dividida entre a realização do futuro e a lembrança.

10 – Antropologia do tempo fundada numa Teologia da Salvação. A originalidade de Agostinho consistiu em transformar a visão platônica do tempo, definido como queda, imagem imóvel e pervertida da eternidade, numa justificação do tempo como espaço de criação e santificação, no qual a existência pode se salvar, pois ela se vincula à essência divina que a criou, tirando-a do Nada sempre ameaçador, e que puxa os homens em direção dele. Tal concepção da temporalidade supera a dimensão cíclica do tempo, presente nos mitos antigos, e abre uma nova perspectiva de tempo linear e progressista (que vamos encontrar nas Filosofias da História dos séculos posteriores, até a contemporaneidade). Para Agostinho, o Ser (Deus) nos tira do Nada e nos incita a ser e a nos livrarmos do mal ensejado pelo fluxo do tempo.

11 – Conquista da paz interior ou serenidade do espírito na espera do futuro salvífico. A experiência de uma temporalidade própria, segundo Agostinho, orienta o homem em direção ao não perecível. O espírito conquista a serenidade se voltando para a verdade eterna, como frisava Agostinho, “não disperso através de uma multiplicidade sempre em movimento, mas reunido na antecipação do porvir”. Na medida em que o espírito se volta para o Deus eterno, do qual provém todo ser, o homem “participa da sua eternidade”.

12 – Essência complexa do homem, imagem da Trindade divina. O homem é, para Agostinho, “uma substância feita de corpo e alma e dotada de entendimento”. A alma, no composto humano, tem a preeminência. O “homem interior” se manifesta como unidade de uma trindade, ou seja, ele se apreende como consciência (memória),entendimento (intelligentia) e vontade (voluntas). O homem é, assim, para Agostinho, imagem da trindade divina.